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FAZER CINEMA
 
 

      O cinema sempre foi uma arte que levou milhares de pessoas no mundo todo a compartilhar dentro de uma sala de projeção as mais variadas formas de diversão, fantasia, magia e sonhos. Mas o que moveu os artistas responsáveis por essas obras cinematográficas que por mais de um século compartilham a história da humanidade?
 
      “Se um quadro não lhe agrada, você passa a olhar o do lado. Mas o cinema é um espetáculo, você está sitiado, preso, nas mãos do realizador”.

   (François Truffaut)
 
    A paixão associada à determinação é um propulsor para aqueles que agarram a responsabilidade de fazer cinema. Esta característica em iniciantes os fazem ter uma consciência de que uma obra-prima não surge de imediato, ela acontece com o tempo. O esforço para começar tem que ser de muita luta e dedicação, iniciar em cinema é meter as caras e estar preparado para agüentar todo tipo de dificuldades, principalmente financeiras e materiais.
      O glamour de estar num set de filmagem geralmente é considerado o fator mais importante na realização de um filme, mas isso é engano, para um filme acontecer é necessário um esforço mútuo de uma equipe movida pela paixão de fazer cinema, toda tarefa e processo vistos como de utilidade para um filme devem ser cumpridos, pois sem os quais o set de filmagem se torna algo apático, e o resultado, um filme sem expressão.
      Noção de um trabalho em equipe também deve ser levada em consideração, não existe auto-suficiência, o coletivo é importante e cada membro deste deve ter seu trabalho e sua individualidade respeitados.

      “Quando estou na presença dos atores, diante dos cenários, descubro que tudo que fiz e escrevi não vale nada; descubro que aquela resposta que me parecia cheia de vida não significa mais nada quando é enunciada por um ator que lhe imprime sua própria personalidade; descubro que sou obrigado, na realidade, a conjugar minha própria personalidade com a personalidade do ator. Estamos num ofício em que não se faz nada sozinho. Cada passo é uma colaboração com alguém”.

(Jean Renoir)
      Muitos fatos como sucesso, dinheiro, prêmios, evidência na sociedade, entre muitos outros, são vistos como as bases do trabalho cinematográfico, mas na verdade tudo isso é conseqüência. No cinema, todos os envolvidos numa realização devem estar conscientes que o filme é a estrela máxima, ele tem que acontecer, não são os caprichos individuais que prevalecerão, isto é egoísmo, e sim o suor escorrido com orgulho e dedicação, pois é este que solidifica o alicerce de uma obra cinematográfica.
 
 

      Só realizando uma obra cinematográfica com responsabilidade é que se pode realmente aprender e, na verdade, cinema é um constante aprendizado, para novos e experientes cineastas.
  Nesse contexto, o Super-8 exerce um papel didático fundamental na formação de novos profissionais de cinema, assim como é uma das categorias que mais abrem espaço para novas propostas e experiências na realização dos filmes. Vários cineastas brasileiros e estrangeiros começaram e/ou utilizaram o formato Super 8 em seus filmes. Ex: Jairo Ferreira, Beto Brant, Guilherme de Almeida Prado, Jean-Luc Godard, Wim Wenders).
  Também conhecido como “bitola nanica”, o Super-8 experimenta nos anos 90 um verdadeiro ressurgimento, uma vez que o período em que mais tinha sido utilizado foi na década de 70. Um número crescente de filmes, comerciais, videoclipes e documentários tem sido produzido nessa bitola, desmentindo o mito de que o Super-8 não tem nenhuma aplicação comercial. Os realizadores geralmente são atraídos pela textura granulada e diferenciada da película.
  Os festivais de cinema representam um espaço importante para a troca de idéias e experiências entre os realizadores de todos os formatos. Vários festivais internacionais tem mostras de Super-8, dos quais podemos citar o de Chicago (Estados Unidos), o de Clermont-Ferrant (França) e o Festival Internacional do Chile, entre outros.

  “Sempre fui da opinião que é melhor não rodar um filme do que me meter num projeto do qual não estivesse convencido por completo. Mas hoje, penso diferente: pode-se aprender até mesmo com um filme ruim. E, talvez, ele também represente um passo a mais em direção a algo melhor... Eu teria feito melhor se trabalhasse mais”.

   (  Frederico Fellini )
 
“Sou favorável ao ensino de cinema nas universidades desde que se ensine o cinema desde Méliès, de que se aprende a fazer filmes mudos, pois não há melhor exercício. Muitas vezes o cinema falado só serviu para introduzir o teatro nos estúdios. O perigo é que jovens, ou menos jovens, muito frequentemente imaginam que se pode ser diretor sem saber projetar um cenário ou fazer uma montagem”.
    (Alfred Hitchcock)
 
 
William Hinestrosa
 
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